O
contexto do mundo atual impõe um grande desafio aos
educadores: a formação de pessoas com as habilidades
necessárias para transformar informação
em conhecimento e conhecimento em ações conseqüentes.
A velocidade com que são produzidas e repassadas
as informações exigem uma forma mais elaborada
de apreensão, possibilitando, assim, relacioná-las
e delas extrair tudo aquilo que está implícito.
Além disso, os indivíduos desta sociedade
em rápida transformação serão
atuantes na medida em que conseguirem interagir autonomamente
com o meio em que vivem.
Neste sentido, uma vez mais, a Educação tem
papel de destaque na formação deste novo indivíduo.
A simples transmissão de informações
produzidas ao longo da história já não
basta. Cabe à Educação, agora, dar
os instrumentos necessários para que, a partir do
que já foi construído, as pessoas possam elaborar
novos conhecimentos, desenvolver seu potencial criativo,
enfrentar novos desafios, relacionar as informações
e tirar suas próprias conclusões.
Diante desse panorama, o Programa de Filosofia para Crianças
salienta a necessidade de se aprender a pensar melhor e
a pensar por si mesmo. Quando a Filosofia é ensinada
através do diálogo investigativo, especialmente,
quando os estudantes ainda são crianças, a
tendência é que eles saiam de seus cursos mais
críticos, mais criativos e mais sensíveis
ao contexto em que vivem.
A experiência tem nos mostrado que crianças
e adolescentes que estão expostos à esse Programa
tendem a desenvolver: maior autonomia de pensamento, uma
percepção ética mais aguçada,
autocorreção, respeito por pensamentos diferentes
do seu, respeito à opinião de outras pessoas,
capacidade de dar boas razões para seus argumentos,
entre outras habilidades.
Principais objetivos:
O Programa Filosofia para Crianças - Educação
para o Pensar é um programa educacional que visa
três objetivos intercomplementares:
• iniciação filosófica de crianças
e jovens;
• educação para o pensar;
• preparação para o exercício
da democracia.
Iniciação Filosófica:
Crianças, jovens e adultos colocam, para si próprios,
questões que demandam não só um esforço
explicativo a respeito de aspectos relevantes da realidade,
mas, também, um esforço de compreensão
dos significados da realidade.
Os sentidos, constituídos historicamente pelos seres
humanos, alimentam suas vidas e os vão constituindo
como pessoas.
Atribuir significados a realidade é, portanto, uma
necessidade humana. Espera-se que jovens e crianças
sejam capazes de buscar interpretações múltiplas
desta realidade através do exercício da reflexão
dialógica.
Educação para o Pensar:
É possível educar para o pensar? Antes da
resposta, é prudente perguntarmos o que entendemos
por pensar.
Com certa freqüência usamos expressões
como “meus alunos não sabem pensar”;
“pense um pouco que você resolverá o
problema”, “se tivesse pensado não teria
feito isso”; “penso em um mundo melhor”.
O que queremos dizer com cada uma dessas expressões?
Talvez
o que esteja por trás dessas indagações
ultrapasse o jogo enigmático que envolve a palavra
“pensar” e se instale em um campo muito mais
complexo e sedutor da ação humana, ou seja,
a capacidade do homem de atribuir significados para aquilo
que cria, avalia ou ordena. Trata-se de um pensar que se
debruça sobre si mesmo para indagar acerca de suas
possibilidades, seus limites, fundamentos. Trata-se de um
pensar que não apenas avalia, mas é capaz
de autocorreção; que não apenas cria,
mas transforma; que não apenas ordena, mas projeta.
Trata-se de um pensar reflexivo, capaz de pensar o pensar
em suas formas e procedimentos.
Preparação para o exercício
da democracia:
A participação produtiva numa pequena comunidade
de investigação exige comportamentos e atitudes
de cooperação, respeito mútuo, interesse
por objetivos comuns, avaliação crítica,
que são, dentre outros, elementos importantes para
a construção de uma sociedade democrática.
Neste contexto, a comunidade de investigação
filosófica deve ter uma estrutura igualitária,
fomentar um foco problemático e os participantes
devem ter um objetivo comum.
No Programa de Filosofia para Crianças a democracia
não é mera promessa ou carta de intenções
para o final do processo educacional, mas se constitui prática
vivida na sala de aula e na escola.